SETEMBRO – o mês dos regressos, … e de novos desafios!

"Muitos analisam (provavelmente não erradamente) que o Dr. António Costa já começou com o “bodo aos pobres”, que é como quem diz, em setembro de 2023 começou a época da caça ao voto. Não sei se esta análise está correta ou errada, provavelmente estará erradamente certa, na medida em que nela encerra uma série de ideias base que, podendo não ser as ideais, irão certamente ser concretizadas nos próximos meses.

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Sempre me habituei a dar diversos valores a diferentes meses do ano, quase como relativizando e hierarquizando a importância de cada um dos doze “departamentos” que compõe um processo de 52 semanas.

Setembro, sempre foi o mês dos regressos, sempre foi o mês em que a monótona normalidade voltava a vigorar e a ditar as suas tiranas ordens. Sempre foi esta a forma que eu “pensei” o mês de setembro, no entanto, os últimos tempos e provavelmente a maturidade geralmente associada ao avançar da idade, fizeram-me ver outras coisas neste mês do ano. Com familiares a terem de abraçar novos desafios, percebi como afinal o regresso, tão típico do mês de que falamos, afinal é, para tantos, um mês de tantos e tão intensos desafios! Novas etapas!

Fui procurar um pouco mais, e descobri que foi no passado 1 de setembro de 1939 que, às 04:45, 50 divisões alemãs, invadiram a Polónia e apenas dois dias depois os britânicos e os gauleses declararam guerra aos germânicos, começando assim a II Guerra Mundial (versão ultra simplista do evento histórico).

Foi também, em 2001, no malogrado dia 11 deste mês que agora vivemos que, incompreensível e brutalmente, se iniciou uma nova era e até quase uma nova ordem mundial. Os mártires que tombaram com as torres que simbolizavam o mundo ocidental (twin towers), são para mim um tónico para manter viva a chama de quem quer fazer algo de diferente pelos seus pares. São um farol para continuar aquilo que um dia possa chamar de legado.

Os dois momentos históricos descritos atrás são excelentes exemplos de inícios, começos, pontos de partida que se concretizaram em setembro, mas continua a ser em setembro que as aulas, o trabalho, o futebol, a política, enfim, a vida (genericamente falando) volta a pulsar de uma forma mais consistente com os seus tempos e, por isso mesmo, mais “habitualmente” regrada.

Ao nível do futebol, as polémicas, entre clubes e dirigentes, não precisaram de mais de 2/3 jornadas para que, de uma forma absurdamente intensa, vincassem claramente a sua presença na Comunicação Social e por isso nas casas dos portugueses.

Por outro lado, na Universidade de Verão do PPD/PSD pudemos assistir a intervenções de alto nível e interesse como foram por exemplo as de Paulo Portas, Durão Barroso e até Álvaro Beleza, Presidente da SEDES. Infelizmente também tivemos a oportunidade clara de perceber o porquê de o atual maior partido da oposição não se conseguir afirmar como verdadeira alternativa, é que a diferença de qualidade, e já agora de interesse, entre as intervenções dos anteriores líderes e do atual são preocupantemente gigantes!

Enfim, concluímos por isso que, pelo menos eu concluo, na oposição ainda não temos figuras que nos garantam os chamados “mínimos olímpicos” ao nível da alternativa. Desta forma, o Dr. Montenegro não vai conseguir por mérito próprio, “chegar lá”, vai ser a rosa a desfolhar-se e a entregar, “gratuitamente”, o poder à oposição (vamos ver qual e de que forma se formará…).

Como em junho de 2024 vamos ter eleições europeias, já muitos se andam a colocar em bicos de pés para garantir o seu quinhão de razão. É precisamente por isso que muitos analisam (provavelmente não erradamente) que o Dr. António Costa já começou com o “bodo aos pobres”, que é como quem diz, em setembro de 2023 começou a época da caça ao voto. Não sei se esta análise está correta ou errada, provavelmente estará erradamente certa, na medida em que nela encerra uma série de ideias base que, podendo não ser as ideais, irão certamente ser concretizadas nos próximos meses.

Cá pelas minhas bandas, como certamente já se aperceberam, o mês de setembro vai ser um mês com pelo menos uma novidade, a minha participação na “Reconhecer o padrão”. Trata-se de um desafio para mim pois terei, a partir de agora, uma preocupação extra de escrever sobre o que assalta a minha consciência de uma forma mais regular. Além disso, acompanhar um elenco como o que constitui os autores da publicação em causa será sempre, além de uma grande responsabilidade, uma honra e um verdadeiro gosto.

Continuarei a plasmar nos meus textos as minhas opiniões mais circunstanciais, bem como as minhas convicções mais profundas, e tentarei ter como pano de fundo a terra que tanto amo, Cantanhede!

Para terminar, vou socorrer-me de mais um facto histórico e relembrar a antiga primeiro-ministro britânica, do Partido Conservador, Margaret Thatcher.

Não, não vou recordar nenhuma das famosas “tiradas assassinas” em relação aos socialistas de então, vou, isso sim, como cantanhedense socialista convicto, relembrar que também eu, como o Dr. António Costa, estou “habituado a levar de todo o lado” e que, por isso mesmo, a frase faz hoje cada vez mais sentido neste nosso pequeno aquário que é o concelho de Cantanhede e em que todos adoramos viver.

“Se os meus críticos me vissem a andar sobre as águas do Tamisa, diriam que era por eu não saber nadar.”

Em Cantanhede não passa o Tamisa, mas temos sempre a zona da Anabá (antigamente conhecida por ser rica em água) ou até mesmo qualquer uma das praias fluviais ou a oceânica para me tentarem encontrar a andar sobre a água…

Aviso os menos atentos que setembro é o mês dos regressos, mas também serve para se abraçarem novos desafios, por muito afoitos que pareçam ser… Desafiem-se!

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No fundo, penso que uma das frases que melhor me poderia descrever é aquela que utilizo de tempos a tempos e em que assumo que sofro de uma patologia, sofro de “vertigem do fazer”. Espero nunca me “curar deste problema”!

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