O mês de maio remete a datas como o Dia do Enfermeiro, o Dia da Mãe, o Dia da Família… O que têm elas em comum? Diria que é completamente impossível dissociar palavras, sentimentos e ações inerentes a cada uma delas, uma vez que se fundem e, para mim, fazem parte de um propósito de vida.
Cuidar de pessoas é cuidar de mães, é cuidar de famílias! Ao longo dos meus 22 anos de profissão, defino este cuidar como um modo de vida, que transcende muito as portas de um hospital ou de qualquer instituição de saúde. Em qualquer relação do dia a dia, deparo-me com histórias de vida, processos de crescimento e um sem-fim de problemas em busca de soluções, que muitas vezes não passam por um tratamento clínico físico. Somatizamos no nosso corpo tantas emoções mal resolvidas, e, grande parte das vezes, está nelas a causa das nossas dores, das nossas repetidas idas à urgência, da nossa procura incessante por uma cura física, que é preciso primeiramente olhar para o ser humano como um todo.
A minha dedicação à parentalidade e à infância tem permitido um olhar aprofundado daquilo que somos enquanto adultos e o que trazemos registado dos primeiros anos de vida. E é nesta perspetiva que hoje escrevo, porque, por mais ensinos de saúde nos acompanhamentos de mães, famílias e crianças que faça, é quase sempre no tema da herança familiar que encontro consciência para os problemas e para as possíveis respostas.
A forma como fomos e somos cuidados e como assistimos à relação dos nossos pais e ao ambiente familiar traduz o modo como cuidamos e nos relacionamos. É a chamada epigenética, que está estudada e na qual a ciência precisa de se apoiar um pouco mais. Então, faz sentido refletir sobre todos os comportamentos a que uma criança assiste e experiencia nos seus primeiros anos de vida e, ainda mesmo durante a concepção e gravidez, para perceber as suas birras e os seus comportamentos de regressão, que não passam de alertas e chamadas de atenção para sentimentos de angústia, frustração ou insegurança.
Por sua vez, se essa criança ao longo da vida nunca quebrar ou assistir à quebra de determinados padrões familiares, vai tornar-se no adulto inseguro, reativo ou evitativo nas suas relações interpessoais, como mãe, pai, amigo, colega, cônjuge. E é aqui que muitas vezes percebemos as dificuldades e problemas que podemos encontrar e procurar consciência e respostas na vivência da nossa própria infância e no espelho que os filhos são para nós.
A parentalidade é uma grande escola de desenvolvimento pessoal e o caminho para descobertas profundas que transmutam o ser humano para o resto da vida, modificando a sua forma de viver e a sua consciência perante os desafios da vida. É este caminho que procuro percorrer com as famílias, como amparo e moderação dos seus processos de vida, ajudando-as a perceber que têm dentro delas todas as ferramentas que precisam para ultrapassar as dificuldades e vicissitudes da vida. Para mim, cuidar é isto! Ser enfermeiro é isto! Lado a lado com as mães e com as famílias…




























































































































