Há uma ideia silenciosa que muitas mães carregam: a de que deviam estar a fazer melhor. Melhor mãe. Mais paciente. Mais presente. Mais calma. Mais certa. Como se houvesse sempre uma versão superior de si mesmas e como se estivessem, por definição, aquém.
Mas ser mãe não é um estado de perfeição. É um estado de presença imperfeita. É acordar cansada e ainda assim levantar-se. É perder a paciência e depois conseguir reparar. É duvidar muitas vezes e continuar mesmo assim.
Há dias leves, sim. Mas há outros em que tudo pesa. Em que o barulho é demais, as exigências são demais e o espaço interno parece não existir. E isso não acontece porque se está a falhar. Acontece porque ser mãe não é só dar. É dar-se. E dar-se todos os dias, em todas as versões, na mais organizada e na mais esgotada, tem um custo que raramente se vê.
Durante muito tempo falou-se das mães como aquelas que “aguentam tudo”. Hoje fala-se das mães como aquelas que “sabem tudo”. E, no meio destas ideias, muitas mulheres ficam presas entre exigências impossíveis.
Porque não é verdade que uma mãe tenha de aguentar tudo. Nem que tenha de saber sempre o que fazer. E talvez o maior equívoco seja acreditar que ser uma boa mãe implique não falhar.
A psicologia do desenvolvimento, nomeadamente através de Donald Winnicott (1953), trouxe-nos uma ideia essencial. Não é a mãe perfeita que sustenta o desenvolvimento da criança, é a mãe suficientemente boa. Aquela que falha – é inevitável –, mas que está emocionalmente presente, que repara, que volta, que continua.
E é aqui que a maternidade ganha o seu sentido mais humano. A maternidade real não vive de certezas. Vive de tentativa, erro e reparação. Vive do momento em que se pensa “não era assim que eu queria ter reagido” e, ainda assim, se encontra forma de voltar à relação. Vive também da possibilidade de dizer “desculpa, eu não estive bem” e continuar depois disso.
Vive da contradição constante. Querer estar presente e precisar de estar sozinha. Querer dar tudo e sentir que nunca chega. Amar profundamente e, ao mesmo tempo, estar exausta. E nada disto anula o amor. Isto é precisamente o que o torna real.
Depois, há o invisível que sustenta tudo isto. Um abraço apressado antes de sair, um olhar que regula o caos sem palavras, um “mãe” dito baixinho no meio da confusão que reorganiza tudo por dentro.
Num mundo cheio de regras, opiniões e “devias”, o desafio não é apenas cuidar dos filhos. É não nos perdermos de nós próprias no processo. Porque há sempre alguém a dizer como fazer melhor, mas raramente alguém a dizer “assim também está bem”.
Neste Dia da Mãe, talvez não seja a perfeição que mereça ser celebrada, mas tudo aquilo que não se vê. O esforço invisível, as dúvidas silenciosas, as tentativas repetidas, os pedidos de desculpa sussurrados, o amor que nem sempre é bonito, mas é constante.
Ser mãe não é ser perfeita. É continuar a escolher a relação, mesmo depois do erro. E isso, por si só, já é suficientemente bom.
































































































































