Na Procura de Preencher o Lugar Vazio

“(...) quando nos perguntamos, socialmente – ou entre dentes –, ‘qual o sentido da vida?’, estamos a fazer a pergunta errada. O que queremos saber, ainda que, muitas vezes, sem realmente querer saber, é qual o sentido da experiência da existência.”

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“Qual o sentido da vida?” é a pergunta de angústia que surge na mente do homem mesmo antes de o universo existir. Já se escreveu muito, numa tentativa bíblica de dar resposta a esta questão. A Filosofia vive desta questão, porque dela emanam os “como?” e “porquê?” – ambas, o motor da atitude filosófica.

Contudo, quando nos perguntamos, socialmente – ou entre dentes –, “qual o sentido da vida?”, estamos a fazer a pergunta errada. O que queremos saber, ainda que, muitas vezes, sem realmente querer saber, é qual o sentido da experiência da existência.

Penso que será sensato separar sentido da vida e sentido da experiência da existência, visto que, no que se refere ao sentido da vida, estamos a falar da vida biológica. A vida em si, aquilo que é vivo, aquilo que emana de processos provenientes de um algoritmo biológico. A vida é um algoritmo.

Neste sentido, será justo – quero eu dizer, será válido – argumentar que o sentido da vida é o sentido da perpetuação. A perpetuação do algoritmo. Este sabe que é mortal e, por isso mesmo, procura tão simplesmente estratégias para se manter funcional. Por isso mesmo, replica-se.

Por outro lado, e num sentido bem diferente, questionamo-nos pelo sentido da nossa experiência de existência. No fundo, questionamo-nos sobre o “como?” fazer a nossa vida, o que fazer durante a nossa existência. Mais, o que fazer sabendo que estamos conscientes que estamos a viver uma experiência. A experiência de existir. A experiência de ser e conter vida.

“Qual o sentido da nossa experiência de existência?”, no fundo, é questionarmo-nos sobre como preenchemos o nosso tempo – finito – de vida. Aquilo que, de acordo com o nosso mapa mental, a nossa genética e o nosso algoritmo, fará sentido fazer.

No fundo, procurar o sentido dessa experiência é uma fuga ao vazio. É uma fuga ao Lugar Vazio no qual, na espuma dos dias, não sabemos estar.

É difícil – muito difícil – ver o mundo a circular à velocidade da luz e não conseguirmos encontrar as nossas ferramentas para, não apenas acompanhar, mas perceber porque estamos a fazer o que estamos a fazer, a essa velocidade. Quem, na procura por um sentido da sua existência, encontrar a velocidade mais baixa de todas, conseguirá ver os pormenores que, tantas vezes, seriam importantes ser conhecidos por nós, para nos mostrar o quão perdidos estamos, ao querer correr à velocidade da luz.

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A esticar a corda desde 1986, nascido em Coimbra. Nos últimos dez, através da Filosofia e Psicologia, tento entender os mecanismos de funcionamento entre os corpos e ambiente.

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