Hoje celebra-se o Dia Internacional da Mulher e eu não consegui deixar passar esta data sem honrar aquelas Mulheres que mais chapadas de luva branca têm dado ao machismo e ao anti-feminismo. Não me refiro apenas aos homens porque, infelizmente, o que não falta são mulheres cegas a esta causa. Desde saídas menos felizes como as de Cristina Ferreira (que admite que ser Mulher nos dias de hoje é um desafio, ao mesmo tempo que afirma não ser feminista), à posição totalmente anti-feminista de Rita Matias (que teimosamente insiste em confundir o feminismo com o femismo). Mas não julguemos, que todos nós temos os nossos defeitos. Uns não conseguem comer e rir ao mesmo tempo, senão engasgam-se; outros só não sabem ler um dicionário. Mas avancemos, que hoje celebra-se as Mulheres e não a ignorância (e isso dar-nos-ia material para todo um outro artigo).
O que não falta, na nossa sociedade, são Mulheres lutadoras, independentes, empreendedoras e cuidadoras. Não obstante, hoje gostaria de refletir sobre algumas das Mulheres que mais visibilidade têm dado a esta causa e que, todos os dias, nos relembram do potencial que as Mulheres têm, se ninguém tiver o poder de as limitar.
Nos passados Jogos Olímpicos (Paris 2024), assistimos a algo histórico: pela primeira vez, tivemos 50% de atletas masculinos e 50% de atletas femininos – o que era algo inimaginável por muitos. Num meio altamente competitivo e irrefutavelmente dominado por Homens, onde durante décadas reinaram nomes como Pelé, Usain Bolt, Rafael Nadal e Michael Jordan (entre tantos outros atletas magníficos), começam a surgir nomes como Aitana Bonmatí, Simone Biles, Serena Williams e Caitlin Clark. Estas são algumas das Mulheres que mais têm contribuído para a visibilidade do desporto feminino e cujo trabalho ardo se tem refletido em proezas extraordinárias. Acredito que qualquer fã de desporto se deleite, assim como eu, ao assistir aos feitos destas atletas, que consecutivamente nos brindam com performances de mais alto nível. Mais do que campeãs, estas atletas têm-se tornado símbolos de uma transformação que já não pode ser ignorada.
Aitana Bonmatí é uma das principais figuras do futebol feminino mundial e a prova de que a modalidade conquistou finalmente o espaço que durante décadas lhe foi negado. Simone Biles redefiniu os limites da ginástica mundial, não apenas pela complexidade inédita dos seus exercícios, mas também pela coragem de expor vulnerabilidades num meio onde a perfeição sempre foi exigida, demonstrando que a verdadeira grandeza não se mede apenas em medalhas. Serena Williams, uma das maiores tenistas de todos os tempos, não só dominou os courts, como abriu caminho para novas gerações de atletas num desporto historicamente marcado por desigualdades – quebrou recordes, preconceitos e barreiras culturais ao longo de mais de duas décadas. Caitlin Clark, por sua vez, tem conquistado uma nova geração de fãs através de um estilo de jogo eletrizante que está a gerar audiências históricas e a provar que o desporto feminino tem um poder de atração que foi durante demasiado tempo subestimado.
O sucesso destas mulheres não é apenas um conjunto de feitos individuais. É a prova de que o desporto feminino deixou de pedir espaço e passou, finalmente, a ocupá-lo. O desporto feminino está a ter um crescimento sem precedentes, marcado por maiores investimentos, recordes de audiências e uma enorme valorização e participação. O sucesso é notório, mas não se iludam – ainda há muitos desafios pela frente. Combater o preconceito, irradicar as disparidades salariais e investir na formação, são apenas alguns deles. Ainda assim, a verdade é que o futuro adivinha-se brilhante!
Termino esta reflexão com uma nota que considero importante: A igualdade é urgente, ainda que muitos tentem lutar contra ela. Mas enquanto não ganhamos esta luta, celebremos estas grandes vitórias!

















































































































