Este texto não foi fácil de parir e todo o processo sexual inerente à produção do mesmo tem sido intenso, mas estruturalmente interessante.
Muitas vezes, assisto àquilo que considero uma pornografia social. Uma espécie de orgia humana, na qual se procura moralizar até a forma do prepúcio e dos lábios vaginais. A mais recorrente tem sido a moralização do prazer e o preconceito para com as células que fabricam o pigmento que dá cor à pele. Uma espécie de histeria cognitiva que ainda não fomos capazes de ultrapassar, e nem aquilo que é a verdadeira virtude da espécie humana – a imaginação – tem sido utilizada para nos fantasiarmos num planeta longínquo e percebermos como somos pequeninos, frágeis e insignificantes. Acima de tudo, mortais. De resto, como todo e qualquer sistema, um dia colapsa. Não somos diferentes.
Mas somos únicos – até à data do nosso conhecimento –, capazes de criar narrativas para nos prendermos a nós mesmos, embora, lá no fundo, sabemos que mijamos, cagamos e tudo aquilo que faz parte dos processos biológicos de qualquer animal nojento e selvagem. A nossa maior característica, na verdade, é essa mesma; sermos nojentos e selvagens. Se assim não fosse, seríamos, realmente, aquilo que imaginamos que gostaríamos de ser, que acreditamos todos os dias que somos, contudo, não somos. Mas somos suavemente preguiçosos, ao ponto de acreditarmos que somos o que não somos. Há uma espécie de necessidade de acreditarmos que estamos bem longe desse animal nojento quando, na verdade, somo-lo todo o santo dia. E o mais interessante é que estamos ainda muito mais perto da nossa origem fedorenta do que gostamos de acreditar.
Cremos que existe uma moral inerente, mas recusamos ser objeto dessa moral, principalmente, quando a moral em que acreditamos recai sobre nós mesmos. Criamos princípios, regras e um sem número de ordens públicas, cujo objetivo é tentar criar uma civilização. Contudo, falhamos redondamente, a toda a hora, quando nos é exigido pelo outro que respeitemos essa mesma moral criada e seguida por todos.
Queremos ordenar o mundo, mas não nos queremos ordenar a nós mesmos.
Talvez uns digam que o projeto é falho e que o objetivo é tentar ser melhores. Que é isso a razão pela qual – dizem eles – viemos para cá. Essa é uma excelente forma de fugir à responsabilidade de sermos agentes funcionais e ativos dentro do sistema que nós próprios criámos. Dá muito jeito sinalizar virtude quando dizemos que a nossa ação é boa, na medida em que acontece na procura do transcendente. No entanto, isto nada mais é do que uma fuga à ação e à responsabilização pessoal.
Esse bicho civilizado que acreditamos que somos, só será civilizado quando deixar de agir em prol da procura pela perfeição e passar a assumir que é feio, nojento e selvagem, mas, ainda assim, está munido de ferramentas para ser, realmente, aquilo que diz ser.
Mas não há recompensa, como tantos desejam. No fim, viramos pó celestial.
Enfim, somos apenas matéria orgânica em decomposição.





























































































































