Vejo o sucesso como uma montanha. A mais alta de todas.
Durante anos, acreditei que bastava treinar o suficiente, estudar meses a fio, abdicar de momentos e memórias para ser bem-sucedida. A definição parecia clara: emprego qualificado, dinheiro na conta, casa própria, independência, família. Aos 17 anos, o sucesso era isso e nada mais.
Preparei-me arduamente para a subida. Quando chegou o momento de escalar a minha montanha, o medo já lá estava, mas avancei na mesma. Os primeiros passos foram firmes. Vinha preparada. Sabia o que era esperado de mim.
O que ninguém me explicou é que podemos cair mesmo quando fazemos tudo “certo”. E que, às vezes, a queda acontece quando estamos quase no topo.
Quando isso me aconteceu, senti as pernas cederem. Durante muito tempo, recusei a responsabilidade que me cabia. Culpei a vidente, a psicóloga, a minha mãe, as colegas, a minha irmã. Culpei o destino, porque me queria iludir. Era mais fácil acreditar que a montanha me tinha traído do que admitir que, talvez, não fosse aquela que eu queria escalar.
Hoje, questiono a definição de sucesso que me foi ensinada. Queremos todos encaixar no mesmo molde, aparentemente universal: produtividade, estabilidade financeira, estatuto, reconhecimento. Quem não encaixa sente-se um fracasso, mesmo que esteja apenas a seguir um caminho diferente.
O sucesso tornou-se uma corrida interminável. Há sempre outro pináculo no horizonte, outro objetivo supostamente indispensável. Mesmo quando alcançamos algo, surge uma nova meta. Caímos e caímos e caímos, e o sucesso continua ligeiramente fora de alcance, como um cão a perseguir a própria cauda.
Talvez o problema não seja a queda. Talvez seja a montanha.
Durante muito tempo, o sonho que me alimentava não era verdadeiramente meu. Era uma expectativa herdada, um projeto construído a partir do olhar dos outros. Sem essa montanha, senti-me perdida. Sem nada a que me agarrar, pus em causa a própria existência.
Ainda hoje me pergunto o que quero, afinal. Dentro de mim lutam duas forças. Procuro uma vida simples e calma; procuro aprender, explorar e crescer guiada pela curiosidade e não pela ambição. Mas sinto o peso das expectativas familiares, o estigma de grandeza que tantas vezes se associa ao sucesso.
Não quero passar a vida a correr atrás de um propósito que pode ser apenas uma ilusão. Quero conectar-me com a vida de forma profunda, apreciar os prazeres e aceitar as quedas como parte do caminho.
Talvez o sucesso não seja o topo. Talvez seja a liberdade de redefinir o topo. Talvez seja escolher uma montanha que faça sentido para mim, ou ter a coragem de descer.
A minha definição de sucesso começa aqui: libertar-me da definição imposta. Descobrir, com curiosidade e autonomia, o que realmente me faz feliz. Mesmo que isso não impressione ninguém. Mesmo que isso não pareça grandioso.
Porque talvez o verdadeiro fracasso não seja cair; seja viver de forma plena uma vida que nunca escolhemos.


















































































































