As eleições terminaram e, com elas, ficou clara a oportunidade perdida de Portugal.
O país desperdiçou a possibilidade de eleger um Presidente da República dinâmico, assertivo, reformista e verdadeiramente diferente do que tem sido a norma. Um Presidente com visão de futuro, capaz de questionar o statu quo, de antecipar desafios e de empurrar o país para fora da sua zona de conforto. Optou-se, mais uma vez, pela segurança do conhecido em detrimento da ambição do necessário.
Neste contexto, é impossível ignorar o erro político cometido por Luís Montenegro, ao apoiar um candidato claramente identificado com o sistema político tradicional — no qual grande parte dos portugueses já não se revê. Podia e devia ter tomado outra decisão, mais estratégica e mais alinhada com a necessidade de renovação. Ao não o fazer, contribuiu diretamente para a fragmentação da “direita portuguesa”, enfraquecendo-a num momento em que precisava de clareza, união e liderança.
Em contraste, a esquerda mostrou pragmatismo político. Não se uniu por entusiasmo, nem por convicção profunda, mas por cálculo. Convergiu em torno do candidato “menos fraco”, o único com reais hipóteses de vencer, o que permitiu a António José Seguro alcançar um resultado acima do que muitos antecipavam. Os restantes candidatos da esquerda acabaram com resultados residuais, sacrificados em nome da utilidade eleitoral. A esquerda percebeu o momento e jogou para ganhar.
Portugal encontra-se agora perante uma escolha que diz muito sobre o estado da nossa democracia e da ambição coletiva: entre um “pão sem sal” e um “frasco de pimenta”. De um lado, a previsibilidade, a ausência de rasgo, a gestão sem alma. Do outro, o ruído, o excesso, a confrontação permanente e a incapacidade de agregar. Nenhuma destas opções representa, verdadeiramente, o futuro que o país precisa.
O que estas eleições deixam claro é que Portugal continua à procura de uma liderança que combine visão com bom senso, reforma com estabilidade, coragem com responsabilidade. Essa liderança não venceu desta vez. Mas a necessidade dela continua — talvez mais evidente do que nunca.








































































































