Provavelmente o Pior Presidente da História

"Começando pelas sucessivas traições à pátria em total contradição com aquilo que deve ser o zelo máximo de um chefe de Estado: o respeito máximo pelo interesse nacional...

Tempo de leitura: 7 minutos

É uma tragédia dos nossos tempos que um dos piores exemplos de presidente da República, ainda consiga granjear tanta popularidade e tenha mesmo o mérito de ter sido reeleito.

É habitual que qualquer candidato à Presidência se queira afirmar como uma figura de consenso nacional, apelando tanto quanto possível a eleitorados diferenciados. Este é sempre um exercício delicado, pois quase ninguém tem a capacidade de concorrer sem apoio partidário e a associação partidária restringe o apelo nacional. O que não é habitual é trair descaradamente o eleitorado base e tomar como prioridade os ideais do extremo oposto do espectro político, que supostamente se representa.

Em 2016, Marcelo Rebelo de Sousa venceu com 52% dos votos e em 2021, a sua maioria passou a 60%. O que é interessante analisar é de onde vieram os votos de reforço. Não foi certamente da Direita, a qual, sentindo-se totalmente atraiçoada, canalizou 15% dos seus votos para os candidatos do CHEGA! e da IL. Também não foi do PCP, pois o eleitorado comunista é fiel e os resultados dos candidatos presidenciais da CDU foram exatamente os mesmos. Foi ao PS e ao Bloco de Esquerda que MRS foi angariar os 20% extra de votos: as candidatas do PS e BE conseguiram apenas 17% em 2021, quando comparadas com os 37% obtidos em 2016. 

É ainda de assinalar que os votos do PS seduzidos por MRS foram os votos de um PS completamente radicalizado, e por conseguinte, já não um partido centrista. Foi o PS da geringonça, o PS no poder no auge da era do wokismo quando António Costa desavergonhadamente racializava as críticas da oposição, o PS dos deputados que clamavam pela demolição do Padrão dos Descobrimentos, o PS das renacionalizações ruinosas e da imigração em massa. 

Por mim, falo de consciência tranquila, pois não só nunca votei Marcelo Rebelo de Sousa, mas alertei para o que se avizinhava. A que se deveu a minha clarividência? Em 2016, na esteira da formação da geringonça após 4 anos de austeridade e de Troika, Marcelo optou por nunca se referir ao problema da exorbitante dívida nacional, durante os debates. O único candidato teoricamente de Direita, não mostrou preocupação pelo maior fator responsável pela ruína financeira do país… Foi o suficiente para compreender claramente ao que vinha.

O conforto de Rebelo de Sousa com a governação do Partido Socialista mais traidor à pátria desde Mário Soares mostrou rapidamente a podridão do seu carácter. MRS nada teve a dizer ou contestar de processos de renacionalização que se provariam totalmente catastróficos. Sousa foi mesmo conivente com o desmantelamento do SEF e a desastrosa abertura das fronteiras a um milhão de estrangeiros do terceiro mundo, a maioria sem qualificações nem nenhum apego à cultura portuguesa. Esta decisão terá consequências gravíssimas para o futuro demográfico e cultural de Portugal, tal como está a ter no resto da Europa. Sabendo do desastre que foi a importação, sobretudo de muçulmanos do terceiro mundo, MRS sorridentemente se associou a António Costa para trazer a mesma catástrofe a Portugal.

Um dos aspetos mais repugnantes de Marcelo foi também o seu posicionamento público ao lado de criminosos e de comunidades não integradas, em detrimento das polícias; algo escabroso para um chefe de Estado, cargo que deveria sempre defender a integridade institucional das autoridades do estado. Não surpreende tão pouco que a falta de carácter de MRS nunca o levasse a visitar o motorista da Carris queimado por um cocktail Molotov, durante os atritos wokistas inspirados pela morte de Odair Moniz.

Monumentalmente vergonhoso foi, igualmente, a anuência perante insultos a Portugal ou mesmo a afirmação da culpa nacional, a propósito de fenómenos como a colonização e a escravatura. Típico para um indivíduo populista e profundamente cobarde, nunca soube Marcelo defender a honra nacional ou sequer apontar as falhas dos outros países. Tal tipo de moralização é anacrónica, insultuosa e desrespeitosa, mas sobretudo vinda da parte do PR, é uma traição colossal à pátria, aos interesses dos portugueses e um desprezo pela História nacional. Uma atitude servil desprovida de honra. A total ausência de escrúpulos ficou evidente com os sucessivos escândalos que Marcelo foi enfrentando ao longo do seu mandato e os quais nunca o motivaram a demitir-se.

Começando pelas sucessivas traições à pátria em total contradição com aquilo que deve ser o zelo máximo de um chefe de Estado: o respeito máximo pelo interesse nacional. Apoiar o empobrecimento do erário público para doar dinheiro a economias que crescem mais rapidamente que a nossa por crimes morais que não são exclusivos a Portugal merecia uma impugnação imediata. Tal como mereceria ser cúmplice na inundação de Portugal de estrangeiros os quais nunca se adaptarão e que trarão mais criminalidade, como foi o caso no resto da Europa. Outras ocasiões houve em que MRS deveria ter saído pelo próprio pé, se fosse um indivíduo com um mínimo de dignidade ou pudor.

Em 2022, Marcelo escolheu não demitir o governo, fazendo fé na decisão de António Costa de manter Pedro Nuno Santos no governo. Isto depois do escândalo do computador no Ministério das Infraestruturas e após um ano de segundo mandato de Costa, com demissões semanais de membros do governo. Perante uma tal instabilidade, Rebelo de Sousa achou ‘sensato’ manter o governo em funções. Este coxeou até 2024 apenas para vir a cair já em 2025 e já sem Pedro Nuno Santos, claro. Uma vez que o Presidente Marcelo havia escolhido fazer fé no governo de Costa, a queda do governo Costa devê-lo-ia ter arrastado a ele também. O destino dos dois estava codependente desde 2022, mas não, mais uma vez, Marcelo sacudiu a água do capote e afastou-se de quaisquer responsabilidades.

Finalmente, chegamos ao caso das gémeas. Se mais nada pudesse ter embaraçado uma figura de Estado ao ponto de se demitir, então nepotisticamente auxiliar estrangeiros a passarem à frente de cidadãos nacionais no sistema de saúde, pressionar para um desfalque de 4 milhões de euros do erário público, cobardemente rejeitar comparecer em comissão parlamentar para testemunhar e medrosamente atirar as culpas para uma subalterna, um escândalo dessas proporções seria suficiente para alguém com um pingo de vergonha na cara. Claro que MRS não tem nenhuma.

Consideremos, pois, o impacto de abjeto legado de Marcelo no contexto da Presidência da República. Portugal tem um século de república com 20 presidentes até à eleição de 2026. Algum foi tão mau quanto Marcelo Rebelo de Sousa? 

Muitos diriam que as figuras de proa do Estado Novo, por exemplo, seriam culpadas de cumplicidade com violações dos direitos humanos e liberdade política. O problema é que em termos de direitos humanos, os presidentes do Estado Novo não ficariam atrás de outros da I República que presidiram durante perseguições políticas, assassinatos e caos cívico. A própria república foi imposta e nunca sufragada. 

Outros poderiam alegar que Mário Soares seria uma figura mais criminosa dado o seu papel no abandono do território nacional do ultramar e na conivência com a limpeza étnica de um milhão de portugueses de África. O pequeno pormenor é que Soares é culpado de tudo isso enquanto líder do Partido Socialista e não enquanto Presidente da República.

Nenhum outro presidente acumulou tanta traição à pátria e escândalos como Marcelo Rebelo de Sousa e o seu nome viverá na História como o exemplo acabado de alguém sem sentido de estado, devoluto de fibra moral, corrupto e totalmente inadaptado a ocupar as funções que exerceu: o mau-exemplo a não seguir.

Partilhe este artigo:

Miguel Nunes Silva é Director do Instituto Trezeno e é Mestre em Estudos Europeus pelo Colégio da Europa, em Bruges.

Contraponha!

Discordou de algo neste artigo ou deseja acrescentar algo a esta opinião? Leia o nosso Estatuto Editorial e envie-nos o seu artigo de opinião.

Mais artigos da mesma autoria:

MAIS AUTORES