Aproximam-se as eleições presidenciais de 2026, com um número pouco habitual de candidatos a um sufrágio desta natureza: 11. Este número elevado é, também ele, um reflexo da fragmentação política que se vive em Portugal nos dias que correm. Há candidatos para todos os gostos, das várias direitas, das várias esquerdas e até um candidato que se diz não ser de esquerda, nem de direita[2].
Ao ligarmos as televisões, ao ouvirmos os nossos podcasts ou a rádio, é possível acedermos a uma panóplia de opiniões divergentes. Todavia, há uma sensação de consenso que paira no ar: o país não tem bons candidatos à Presidência da República. Apesar de compreender a desesperança das bolhas mediáticas, que rapidamente incendeiam a opinião pública, permitam-me discordar desta ideia geral.
No dia 2 de maio de 2025, aquando do início da campanha eleitoral das últimas eleições legislativas, fui a um jantar-comício do partido Livre, realizado na associação de moradores da Bouça, no Porto. Fui com dois amigos, embebidos por uma grande curiosidade em conhecer melhor o partido e as suas gentes, uma vez que não conhecíamos praticamente ninguém. Sentámo-nos timidamente numa mesa ao fundo da sala, à espera do início do evento. Pouco tempo depois, chegou à nossa mesa um homem jovem, pouco mais velho que nós, que nos abordou com um sorriso, “Não conheço as vossas caras, é a primeira vez que cá vêm?”. Nós lá lhe explicámos que vínhamos de Braga, com o intuito de conhecermos melhor o Livre. Apresentou-se, perguntou os nossos nomes, deu-nos as boas-vindas e ainda falámos um pouco sobre festivais de música. Tratava-se de Jorge Pinto, o deputado do Livre eleito pelo distrito do Porto. Uns meses depois, já em 2026, voltei a ir a um jantar-comício, desta vez em Guimarães, da candidatura presidencial do Jorge Pinto. No final do jantar, quando me preparava para ir embora, fui-me despedir dele. Qual não foi o meu espanto, quando me disse “fica bem, Ricardo”. Falou comigo duas vezes, com meses de distância e recordava-se do meu nome, o que diz muito da forma como nos escuta, que não lhe somos transparentes. Durante esse mesmo jantar, foram partilhadas histórias dos pequenos atos do Jorge, aquelas pequenas ações de bondade que passam despercebidas aos olhos da maioria das pessoas. Uma delas fez menção a um bilhete de agradecimento, escrito à mão pelo próprio, deixado aos funcionários da Assembleia da República, que prestavam serviços de limpeza no gabinete do Livre.
Não vos trouxe estas pequenas histórias ao acaso. A meu ver, quando olhamos para um candidato a qualquer processo eleitoral, devemos, em primeiro lugar, olhar para o ser humano que ali se encontra. Infelizmente, a decência, na política, parece algo esquecida. Uma qualidade vista como secundária. A ética, a educação, a compaixão pelo outro, enfim, o lado bom do ser humano, deveria ser um ponto de partida para avaliarmos se estamos perante um bom ou um mau candidato. O Jorge Pinto consegue transmitir-nos esta forma de estar, este cuidado, a generosidade e a fraternidade pelos seus concidadãos. Vivemos tempos de grande cinismo, onde pessoas como o Jorge Pinto são olhadas com desdém, desvalorizadas, como se estas qualidades fossem abundantes no mercado político. Os comentadores preferem valorizar os demagogos populistas e exaltar os discursos vazios, carregados de ódio. Contudo, é precisamente de pessoas como o Jorge Pinto que necessitamos como candidatos presidenciais.
A virtude da candidatura de Jorge Pinto não se esgota na sua personalidade. Tem sido o único candidato capaz de colocar temas fundamentais na agenda destas eleições presidenciais.
Comecemos pela regionalização, um desígnio constitucional que nunca se cumpriu. Muito se fala da ineficiência do Estado, da desvalorização do bem público e da exaltação do privado. Porém, não existirão melhores serviços públicos sem reformas estruturais na organização da máquina do Estado, designadamente, na descentralização da mesma, permitindo uma maior participação democrática, um maior desenvolvimento económico local, ou ainda a gestão mais eficiente dos recursos de uma determinada região. Tal como referiu Luís Aguiar-Conraria, num artigo publicado no Expresso, “A regionalização prevista na Constituição é um tema morto. Dos 11 candidatos presidenciais de 2026, apenas Jorge Pinto faz disso bandeira. Mas ninguém lhe liga.”[3] Bem, eu ligo e compreendo a importância da regionalização para um Portugal melhor, para que a população seja ouvida e, acima de tudo, cuidada, onde todas as pessoas possam ter as oportunidades necessárias para prosperarem, sem terem a necessidade de procurarem refúgio no Porto ou em Lisboa. A regionalização é a resposta para um país esquecido, abandonado, que se tem deixado seduzir por quem se aproveita do seu desespero. Não lhes oferecendo esperança, mas apresentando-lhes inimigos fictícios, alguém que possam culpar por estarem esquecidos nos cantos empoeirados do país.
Esta candidatura deixou ainda uma promessa fulcral para os tempos ominosos que se avizinham. Jorge Pinto prometeu que “se no parlamento houver a tentação de haver uma revisão drástica da nossa Constituição, feita apenas pela direita e pela extrema-direita, uma revisão drástica que não passou pelas eleições, que não passou pela campanha eleitoral, que não foi discutida com os portugueses, fica aqui a minha promessa: eu voltarei a chamar os portugueses às urnas para que essa discussão tenha lugar e para que os portugueses digam se estão ou não estão confortáveis com uma revisão drástica da nossa Constituição”[4]. Ora, uma revisão drástica da Constituição é uma ameaça aos valores democráticos e a tudo aquilo que foi conquistado em Abril de 1974, principalmente, quando um dos principais atores desta revisão constitucional pretende acabar com a República tal como a conhecemos[5]. Por esta razão, é imperativo que o futuro Presidente da República seja uma pessoa capaz de proteger a nossa Constituição e, através disso, proteger a nossa democracia e a nossa República.
Muito se tem debatido sobre o voto útil à esquerda. No entanto, devemos questionar-nos, mas qual esquerda? Qual é o rumo que pretendemos para o nosso país? Têm existido muitos apelos à reinvenção da esquerda. Exige-se uma resposta à crise que se abateu sobre este espectro político. Um voto útil em António José Seguro será a resposta que se exige? Não me parece. O voto útil é aquele que serve as nossas convicções. É aquele que serve para transformar um país.
Não acredito no voto do mal menor. Não acredito no voto da inércia. Considero-me, sim, um militante da democracia. Quero lutar por ela, quero contribuir para um país mais justo, solidário, progressista, ecológico e empático. Quero que o meu voto cumpra todos estes desígnios, que seja útil à minha consciência e aos meus valores. Por todas estas razões, no dia 18 de janeiro, votarei na candidatura de Jorge Pinto. O único candidato que traz uma mensagem de empatia e amor, com os valores necessários para servir de bússola moral ao país. Um candidato à altura dos desafios dos novos tempos. Tenhamos a mesma coragem que ele.
Referências
[1] Referência do título do artigo – https://www.jm-madeira.pt/nacional/presidenciais-jorge-pinto-apela-ao-voto-dos-socialistas-indecisos-e-do-eleitorado-desesperado-de-extrema-direita-EJ19103337
[2] https://rr.pt/noticia/politica/2025/12/10/gouveia-e-melo-recusa-responder-a-carneiro-e-diz-que-nao-suspende-agenda-na-greve/451170/
[3] https://amp.expresso.pt/opiniao/2026-01-08-a-outra-eleicao-da-proxima-semana-769c50ee
[4] https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/a-esquerda-no-uma-gaveta-mas-uma-janela-jorge-pinto-apresentou-candidatura-que-fazia-falta-s-presidenciais
[5] https://eco.sapo.pt/2020/03/01/andre-ventura-apresenta-candidatura-a-belem-e-defende-criacao-da-quarta-republica/







































































































