Porque voto João Cotrim de Figueiredo

"[...] afirmar que António José Seguro tem “uma vida ao serviço da coisa pública” é, a meu ver, um eufemismo confortável para dizer que nunca exerceu outra atividade que não a política."

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Devido à minha formação académica, a política sempre me fascinou, pelo seu propósito, pela ideologia e pelo impacto na vida coletiva. Desde jovem, filiei-me num partido que acreditava refletir a minha própria visão e forma de estar no mundo. Com o tempo, porém, abandonei a militância ao constatar que as linhas do partido já não se coadunavam com as minhas, nem com os princípios que entendo estarem na base da sua fundação. Mais do que isso, sentia-me profundamente desiludido com os meandros do sistema político e a mecânica interna dos aparelhos partidários.

Nesse contexto, não consigo compreender o fundamento de se votar em António José Seguro ou em Marques Mendes, especialmente quando a escolha se justifica por conceitos como “experiência” e “estabilidade”. O que para muitos soa a competência, para mim traduz-se em puro carreirismo e perpetuação do sistema vigente. Numa conversa com um amigo, candidato autárquico pelo Partido Socialista, defendeu-me que António José Seguro não seria um mero profissional da política, mas um indivíduo abnegado, que dedicou a sua vida à causa pública. Respeito a intenção, mas a meu ver, nem o esforço nem a dedicação justificam a adesão acrítica a um modelo que considero esgotado e conformista.

Vou mais longe: afirmar que António José Seguro tem “uma vida ao serviço da coisa pública” é, a meu ver, um eufemismo confortável para dizer que nunca exerceu outra atividade que não a política. Na minha opinião, a política deve ser um serviço temporário à comunidade, e não uma carreira vitalícia. Por razões éticas, institucionais e de eficiência, os cargos políticos devem ter duração limitada.

Seguro e Mendes são, aliás, exemplos paradigmáticos de quase tudo o que está estruturalmente errado na classe política portuguesa: trajetórias iniciadas nas juventudes partidárias, ascensão precoce a mandatos parlamentares, permanência prolongada no sistema, benefícios acumulados num tempo em que bastavam duas legislaturas para garantir reformas privilegiadas, subvenções vitalícias e, muitas vezes, transições diretas para empresas públicas, universidades ou funções de consultoria em entidades que previamente beneficiaram de decisões políticas.

Distancio-me dessa visão porque quero, e acredito num Portugal melhor: mais eficiente, mais justo, com um Estado mais leve, que não asfixie cidadãos e empresas através de uma carga fiscal excessiva. Quero políticos com experiência real na sociedade civil, conhecedores da economia produtiva, do risco, da criação de valor e do mérito. Quero serviços públicos que existam para servir os cidadãos e não para sustentar estruturas administrativas ou carreiras internas.

Não é aceitável pagar mais de 18 mil milhões de euros por ano por um Serviço Nacional de Saúde que, apesar do esforço dos seus profissionais, falha sistematicamente na resposta às necessidades dos portugueses. Quero um SNS que funcione, que seja eficaz, acessível e financeiramente sustentável.

Hoje, o meu grau de exigência enquanto cidadão traduz-se numa política de verdadeira reforma: um Estado cujo peso seja substancialmente reduzido, sem abdicar das suas funções primordiais, educação, saúde, justiça , mas cuja gestão seja otimizada de forma a aliviar os cidadãos do fardo exponencial da carga fiscal vigente. Reivindico um Estado eficiente, não inchado; um Estado que sirva, e não que sobrecarregue.

É por isso que voto em Cotrim de Figueiredo: por uma visão reformista, liberal e responsável do Estado, que coloque o cidadão no centro das políticas públicas e não o sistema ao serviço de si próprio; porque é um candidato que foge ao paradigma dos seus concorrentes e, ao mesmo tempo, se distancia dos populismos bacocos de André Ventura. Mais do que por mim, voto em João Cotrim de Figueiredo pela minha filha e pelas gerações futuras, porque imagino um Portugal em todo o seu esplendor e potencial.

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Licenciado em Direito com Pós-Graduações em Ciências Médico Legais e Direito Administrativo. Advogado e empresário na área do imobiliário e gestão de condomínios. Acredita firmemente na meritocracia e no empreendedorismo, um dos lemas de vida assenta numa frase de Einstein quando diz que insanidade é fazer as coisas sempre da mesma maneira e esperar resultados diferentes.

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