Javier Milei é presidente da Argentina há pouco mais de um ano. Lembro-me muito bem de, no dia das eleições, toda a comunicação social ter entrado em pânico, com os típicos especialistas políticos a associá-lo a ideologias completamente antagónicas à posição ideológica do presidente. Milei é um libertário, alguém que, acima de tudo, acredita na liberdade individual e económica – algo muito raro de se ver nos dias de hoje, principalmente, na figura política mais importante de um país.
Este senhor tinha (e ainda tem) nas suas mãos um dos desafios mais difíceis de toda a história da política moderna: tirar o país da grave situação em que se encontrava, com uma inflação anual superior a 200% e uma pobreza crescente superior a 50% da população. Isto deve-se a uma só razão: o socialismo que assombrou o país nas últimas décadas.
Todos diziam que o mais provável era Milei não ter sucesso na sua missão, não só pelos seus ideais e objetivos, mas pelo curto período de tempo que tinha para reconstruir um país que não estava no zero, mas, sim, no negativo. Milei provou que todos estavam enganados e, num curto período de tempo, já conseguiu controlar a inflação do peso argentino para 2,7% ao mês (está longe de ser bom, mas melhorou a olhos vistos)1, cortou os gastos públicos de forma radical e demitiu mais de 24 mil funcionários públicos2 que em nada contribuíam para o bem-estar do país (infelizmente a Argentina também sofre com graves problemas neste setor: funcionários públicos que nem habilitados para o cargo estão e foram escolhidos por familiares ou conhecidos para ganhar mais um “tacho”). A classificação de crédito e investimento3 do país também já subiu (a primeira vez em mais de cinco anos de quedas significativas).
A única grande crítica que a oposição e a imprensa podiam fazer a Milei estava relacionada com o aumento da pobreza em janeiro de 2024, para 57%. Este facto não deixa de ser hilariante porque, nessa altura, Milei estava no poder há menos de um mês. Então, a culpa era de quem? Dos sucessivos governos destrutivos que agravaram a situação económica e social do país, com uma inflação histórica e pobreza crescente, ou do novo presidente, que havia tomado posse há menos de 30 dias? Acho que qualquer pessoa com o mínimo de discernimento responde bem a esta pergunta… Agora, para aqueles que, mesmo assim, culpam o novo presidente, a melhor resposta são os dados mais recentes, que mostram uma queda substancial na pobreza4 do país, para 41,7% – percentual este que, inclusive, é bem mais baixo do que aquele deixado pelo governo anterior, de aproximadamente 50% (uma diferença de quase 5 milhões de pessoas fora da linha da pobreza).
O futuro deste governo continua incerto; ainda existem muitos problemas crónicos para resolver; e a inflação está longe de estar controlada a 100%. O importante é termos a noção do milagre económico e social que está a fazer o novo presidente da Argentina, que tende agora a sair beneficiado com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.
Para quem se pergunta se temos alguém como Javier Milei em Portugal, a resposta é muito simples. Não, hoje não temos ninguém relevante no cenário político português com os ideais libertários. Recentemente, foi criado um novo partido com estas bases, e surgiram alguns nomes interessantes, como o de Manuel Morgado. Por isso, vamos ver o que o futuro nos reserva.
Referências
- https://www.reuters.com/world/americas/chicken-rules-roost-pinched-argentines-eat-less-pricey-beef-2025-01-27/ ↩︎
- https://www.wsj.com/world/americas/javier-milei-maga-hero-argentina-b9b0e7ce ↩︎
- https://www.reuters.com/markets/rates-bonds/moodys-raises-argentinas-rating-first-time-five-years-2025-01-24/ ↩︎
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/governo-da-argentina-projeta-pobreza-em-389-no-3o-trimestre/ ↩︎