Não controlamos tudo o que nos acontece.
Aprendi, já tarde, que não controlamos os nossos pensamentos e que os nossos pensamentos não nos definem, nem são sempre necessariamente verdadeiros. Mas, antes disso, tive uma amiga que, coitada, na sua boa-fé, me incentivou a seguir a lei da atração.
Também eu, na minha boa-fé, me propus a saber o que era isso da lei da atração e quais eram os seus benefícios, numa altura em que me via desesperada para dar um rumo à minha vida. Tentei ver o filme que inspirou o livro O Segredo, de Rhonda Byrne, mas os primeiros segundos, narrados por uma voz sombria, artificial e dramática, fizeram-me sentir como se estivesse a ser aliciada a entrar num culto, pelo que recorri exclusivamente ao motor de pesquisa para investigar essa teoria.
A lei da atração diz-nos que podemos atrair coisas positivas e negativas através dos nossos pensamentos e sentimentos. Ou seja, colhemos o que semeamos. Basta desejarmos com convicção suficiente, visualizarmos o futuro que gostaríamos e agirmos como se os nossos desejos já fossem realidade para podermos controlar o nosso destino.
Essa ideia tem angariado vários apoiantes e seguidores nos últimos anos — a minha tal amiga é uma delas —, embora não seja um conceito científico testado nos moldes tradicionais. Para muitas pessoas, é quase encarada como uma pílula mágica, tão simples quanto dedicarmos cinco minutos do nosso dia, de manhã, depois de acordarmos, e à noite, antes de nos deitarmos, para visualizarmos os nossos sonhos.
O problema de colocar esta ideia em prática é que visualizar mil euros a mais no nosso orçamento mensal, ou possuir um carro a estrear de uma marca topo de gama, simplesmente não funciona. Se fosse assim tão fácil, os milhões de pessoas que compraram o livro O Segredo e depois seguiram os seus exercícios já se teriam tornado todas bilionárias.
Pelo contrário, figuras como Einstein, Steve Jobs ou Cristiano Ronaldo não parecem ter dependido de práticas como vision boards ou da ideia de que apenas visualizar resultados seria suficiente. O seu percurso foi marcado por trabalho consistente, contexto favorável, oportunidades e também alguma dose de sorte.
As pessoas bem-sucedidas alcançam resultados, na maioria das vezes, não só porque reúnem condições favoráveis para tal, mas também porque desenvolveram uma atitude positiva que as faz encarar desafios, riscos e oportunidades com confiança. Poderia citar vários exemplos de casos de sucesso que provam isso mesmo. Em vez disso, recomendo os livros Outliers – A História do Sucesso, de Malcolm Gladwell, e Mindset – A Atitude Mental para o Sucesso, da dra. Carol S. Dweck, que abordam vários estudos e casos reais que ilustram, certamente melhor do que eu, o argumento anterior.
Em relação à questão da atitude mental, ou da vibração que devemos emanar para atrair os nossos desejos e transformar a realidade à nossa vontade, é importante realçar que o sucesso exige esforço. Não gira tudo à volta da atitude. Construir uma carreira ou um negócio não é algo que acontece da noite para o dia. E sabem que mais? O dinheiro não cai na nossa conta apenas através do milagre da lei da atração.
Quando estava à procura do primeiro emprego, a minha amiga sugeriu-me que seriam os meus pensamentos negativos a causa do meu insucesso. Tal possibilidade provocou-me um enorme mal-estar.
Como disse no início, não controlamos os pensamentos intrusivos e ruminativos que nos atormentam, especialmente se nascemos com uma predisposição pessimista, fruto das nossas vivências e biologia. Então, por exclusão de partes, não estaria apta para colocar em prática a lei da atração, a não ser que mudasse os meus pensamentos incontroláveis e involuntários. Enfim, uma pescadinha de rabo na boca, ou, por outras palavras, um beco sem saída.
Felizmente, descobri, mais tarde, um estudo que testou se interpretar pensamentos como negativos leva automaticamente a piores resultados. O estudo, de 2015, mostra que os pensamentos negativos não levam automaticamente a resultados negativos. O impacto depende de crenças prévias e do contexto (por exemplo, já ser ansioso ou estar sob stress).
Ou seja, só existe evidência científica dos efeitos negativos dos pensamentos ao nível psicológico e emocional. O que faz sentido para mim, já que todos os cenários terríveis que imaginei, nessa fase em que estava desempregada — que incluíam tornar-me dependente dos meus pais e, mais tarde, sem-abrigo, quando eles morressem —, agora me parecem tão distantes quanto as memórias vagas de um pesadelo que me acordou a meio da noite durante a infância e me aterrorizou durante meses, senão anos.
Mas, se há pessoas que preferem viver a acreditar na lei da atração, compreendo e aceito — e até chego a ter inveja. Gostava de me escudar sob o mesmo tipo de mentalidade. Seria, sem dúvida, mais fácil para enfrentar a incerteza da vida.






























































































































