A História da Queda: Uma definição de sucesso

"Vejo o sucesso como uma montanha. A mais alta de todas."

Tempo de leitura: 3 minutos

Vejo o sucesso como uma montanha. A mais alta de todas.

Durante anos, acreditei que bastava treinar o suficiente, estudar meses a fio, abdicar de momentos e memórias para ser bem-sucedida. A definição parecia clara: emprego qualificado, dinheiro na conta, casa própria, independência, família. Aos 17 anos, o sucesso era isso e nada mais.

Preparei-me arduamente para a subida. Quando chegou o momento de escalar a minha montanha, o medo já lá estava, mas avancei na mesma. Os primeiros passos foram firmes. Vinha preparada. Sabia o que era esperado de mim.

O que ninguém me explicou é que podemos cair mesmo quando fazemos tudo “certo”. E que, às vezes, a queda acontece quando estamos quase no topo.

Quando isso me aconteceu, senti as pernas cederem. Durante muito tempo, recusei a responsabilidade que me cabia. Culpei a vidente, a psicóloga, a minha mãe, as colegas, a minha irmã. Culpei o destino, porque me queria iludir. Era mais fácil acreditar que a montanha me tinha traído do que admitir que, talvez, não fosse aquela que eu queria escalar.

Hoje, questiono a definição de sucesso que me foi ensinada. Queremos todos encaixar no mesmo molde, aparentemente universal: produtividade, estabilidade financeira, estatuto, reconhecimento. Quem não encaixa sente-se um fracasso, mesmo que esteja apenas a seguir um caminho diferente.

O sucesso tornou-se uma corrida interminável. Há sempre outro pináculo no horizonte, outro objetivo supostamente indispensável. Mesmo quando alcançamos algo, surge uma nova meta. Caímos e caímos e caímos, e o sucesso continua ligeiramente fora de alcance, como um cão a perseguir a própria cauda.

Talvez o problema não seja a queda. Talvez seja a montanha.

Durante muito tempo, o sonho que me alimentava não era verdadeiramente meu. Era uma expectativa herdada, um projeto construído a partir do olhar dos outros. Sem essa montanha, senti-me perdida. Sem nada a que me agarrar, pus em causa a própria existência.

Ainda hoje me pergunto o que quero, afinal. Dentro de mim lutam duas forças. Procuro uma vida simples e calma; procuro aprender, explorar e crescer guiada pela curiosidade e não pela ambição. Mas sinto o peso das expectativas familiares, o estigma de grandeza que tantas vezes se associa ao sucesso.

Não quero passar a vida a correr atrás de um propósito que pode ser apenas uma ilusão. Quero conectar-me com a vida de forma profunda, apreciar os prazeres e aceitar as quedas como parte do caminho.

Talvez o sucesso não seja o topo. Talvez seja a liberdade de redefinir o topo. Talvez seja escolher uma montanha que faça sentido para mim, ou ter a coragem de descer.

A minha definição de sucesso começa aqui: libertar-me da definição imposta. Descobrir, com curiosidade e autonomia, o que realmente me faz feliz. Mesmo que isso não impressione ninguém. Mesmo que isso não pareça grandioso.

Porque talvez o verdadeiro fracasso não seja cair; seja viver de forma plena uma vida que nunca escolhemos.

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Adriana Silva, licenciada em Comunicação e Media. Tenho três paixões: escrever, gatos e livros.

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