Portugal está, uma vez mais, submerso.
Nestes últimos dias, Portugal tem sido afetado por um comboio de tempestades. As imagens que todos vimos: ruas transformadas em rios, famílias desalojadas que ficaram sem nada, e um rasto de destruição deixado pelas tempestades. Não se trata apenas da força da natureza, é o espelho de um Estado que continua a reagir à catástrofe em vez de a prevenir.
Entre o lodo que invade as casas e a burocracia dos discursos políticos, fica a questão: por que razão parece o país sempre surpreendido pela chegada do inverno?
É inegável que os fenómenos meteorológicos são cada vez mais frequentes e severos, mas a incapacidade de resposta já não pode mais ser camuflada sob o pretexto de “ciclogénese explosiva”.
O que falhou nestes últimos dias foi o que falha sempre: uma gestão pública baseada na “política do remendo”.
Existe um atraso crónico na mobilização de meios em zonas críticas e uma gritante falta de investimento na prevenção. Portugal gasta mais em remendos, preferindo o pagamento de indemnizações e subsídios à execução de obras de fundo que protejam as populações.
Não é a chuva que é problemática, mas sim o ordenamento do território.
Para mudar este ciclo, é imperativo que o Governo saia do papel e passe à prática. As infraestruturas críticas de drenagem, como os planos previstos para Lisboa, Porto e Coimbra, não podem ser projetos de “calendário flexível” dependentes de ciclos eleitorais, pois são urgentes para a segurança de todos.
É necessária uma rede de alerta em tempo real que funcione com precisão e uma reforma muito grande na Proteção Civil, dotando os municípios de meios próprios para que não fiquem reféns de decisões centralizadas que demoram horas cruciais a chegar ao terreno.
Governar é prever. As isenções de portagens e os apoios diretos aos agricultores fustigados são medidas bem-vindas, mas não passam de pensos rápidos em feridas que continuam abertas. Enquanto a prevenção não for tratada como um investimento estratégico, e não como uma despesa orçamental incómoda, continuaremos a ser um país que espera que o sol brilhe para esquecer que não sabe lidar com a tempestade.
Os portugueses não necessitam de um governo que seja exímio a gerir tragédias, precisam, sim, de um governo que tenha coragem e competência para as evitar.












































































































