O trabalho remoto não é um tema novo. Porém, continua a ser um tema polémico, cada vez mais trazido à baila, pelo menos desde 2020, quando quase todos fomos forçados a adotar este regime. Após estes anos, continua a dividir opiniões.
De um lado, temos os defensores da flexibilidade e da liberdade. Do outro, temos os defensores da criação de laços entre a equipa e a necessidade de criar uma rotina que nos force a sair de casa, a separar as águas entre o trabalho e a vida pessoal. Como trabalhador em regime híbrido há cerca de quatro anos e em regime remoto há quase dois, consigo concordar com os dois lados.
O meu lado A romantiza o trabalho remoto: poder acordar às 7h15 para começar a trabalhar às 7h30; poder tomar o pequeno-almoço enquanto se lê os primeiros e-mails do dia; poder almoçar em casa e não gastar dinheiro fora; poder até almoçar com um familiar e aproveitar tempo de qualidade; poder ir fazer uma caminhada entre reuniões para descansar os olhos dos ecrãs; e, claro, não perder horas no trânsito em deslocações. Por fim, há a vantagem de mudar o modo trabalho para modo casa em segundos, basta desligar o computador e ligar a televisão, por exemplo.
Sem dúvida que este regime traz muito equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal. É inegável a facilidade em gerir as diferentes tarefas do dia quando posso acabar de trabalhar e ir diretamente ao ginásio ou até mesmo às compras, com a vantagem de poder fugir à confusão do final do dia.
Mas do lado B, existe a parte menos romântica desta rotina: os dias solitários; os dias em que não sinto tanta integração na minha equipa; os dias em que sinto a falta do contacto presencial, a convivência na hora de almoço, as pausas de café e as conversas sobre assuntos que nada têm a ver com trabalho, como os planos para o fim de semana ou uma receita nova que experimentámos.
Para pessoas menos caseiras, trabalhar no mesmo local onde se vive pode transmitir a sensação de que todos os dias são iguais. Não há rotina trabalho-casa, apenas casa-casa. Para pessoas que gostam de conversar e sentem falta de contacto social, é muito comum terminar um dia e pensar “ainda não ouvi a minha voz hoje”. Como adepto da moderação, defendo uma posição de flexibilidade e equilíbrio. Mesmo remotamente, é necessário continuar a criar rotinas. E aqui não há fórmulas mágicas aplicáveis a toda a gente – aliás, nem a mesma fórmula é aplicada à mesma pessoa todos os dias!
No entanto, eis algumas fórmulas que podem ajudar nestas rotinas:
- Acordar, mais ou menos, à mesma hora, ter um ritual matinal e vestir-se como se se fosse mesmo sair de casa;
- Se o dia assim o permitir, fazer uma pequena caminhada (5 minutos podem ser suficientes) para acordar, mexer o corpo e expor o organismo a luz natural antes dos ecrãs;
- Fazer pausas regulares e respeitá-las. Se a hora de almoço é de uma hora, durante esse período não há assuntos de trabalho;
- No fim do dia, o computador deve ser arrumado noutra divisão, para que o assunto “trabalho” fique efetivamente fechado;
- Fazer atividades fora de casa: caminhar, ir à natação, ir beber um café à rua ou marcar um encontro com um amigo. É importante lembrar que a vida não é só trabalho;
- Arranjar dias para ir ao escritório e estar com os colegas de trabalho presencialmente;
- Criar um ambiente confortável em casa. Se é lá que se passa a maior parte do dia, então é preciso que o ambiente seja confortável.
Quase tão importante como as rotinas é a flexibilidade de as adaptar. Ninguém acorda todos os dias da mesma forma e o estado de espírito influencia aquilo que necessitamos naquele dia específico. No fundo, precisamos de uma rotina que funcione para nós e que nos faça sentir bem. E é preciso ter esta consciência para se adaptar à forma como se trabalha, para que consigamos viver equilibradamente.







































































































