Presidenciais 2026: Quando a política tem rosto, voz e coragem

"A Presidência da República não deve ser apenas um lugar de neutralidade elegante. Deve ser um espaço de palavra clara, de defesa ativa da democracia e da Constituição, de atenção constante às fragilidades sociais. A Catarina tem essa consciência."

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Há encontros que não se esquecem. Não porque tenham sido solenes ou grandiosos, mas porque deixam uma marca silenciosa: a sensação rara de estar diante de alguém que é exatamente aquilo que diz ser. Conhecer a Catarina Martins foi isso. Não como figura pública distante, mas como alguém cuja forma de estar confirma, sem esforço, aquilo que defende. Num tempo marcado pela desconfiança em relação à política, essa coerência continua a ser rara e significativa.

A Catarina não fala sobre as pessoas, fala com elas. Escuta com atenção, responde com cuidado e, quando discorda, fá-lo com respeito. Num contexto político onde tantas vezes se confunde firmeza com agressividade, esta postura não é apenas uma escolha de estilo; é, em si mesma, uma posição política.

Ao longo do seu percurso, não seguiu caminhos fáceis nem procurou consensos confortáveis. Tem estado, de forma consistente, ao lado de quem trabalha muito e recebe pouco, de quem vive na precariedade e na incerteza, de quem sente que o país nem sempre responde de forma justa às suas necessidades. Defendeu direitos quando isso implicava custos e manteve posições quando seria mais simples recuar. Essa coerência constrói-se ao longo do tempo, com ética e sentido de responsabilidade.

A Presidência da República não deve ser apenas um lugar de neutralidade elegante. Deve ser um espaço de palavra clara, de defesa ativa da democracia e da Constituição, de atenção constante às fragilidades sociais. A Catarina tem essa consciência. Sabe que o silêncio institucional, tantas vezes, é uma forma de cumplicidade. E sabe também que usar a palavra no momento certo pode mudar o rumo do debate público.

Há na Catarina uma firmeza serena que inspira confiança. Não grita, não simplifica, não cede à tentação do populismo fácil. Prefere o argumento ao ataque, a empatia ao espetáculo. Num país saturado de polarização e excesso de retórica, essa atitude é, no mínimo, refrescante.

Num país marcado por fortes assimetrias territoriais, o percurso político de Catarina Martins tem incluído uma atenção consistente a realidades que raramente ocupam o centro do debate público, defendendo um Portugal mais coeso, mais justo e mais solidário, onde ninguém é tratado como nota de rodapé.

Pensar numa eventual presença sua em Belém é, sobretudo, refletir sobre que tipo de Presidência se quer: uma que compreenda a democracia como algo vivo e exigente, que não se refugie nos momentos difíceis e que encare o cargo como responsabilidade, não como símbolo. Uma Presidência que recorde que a política existe para responder a pessoas concretas e a problemas reais.

Em 2026, mais do que estabilidade abstrata ou consensos mornos, o país beneficiará de debate sério sobre ética, justiça social e qualidade democrática. É nesse quadro que considero pertinente olhar para o percurso e a forma de estar de Catarina Martins. Não como slogan, mas como objeto legítimo de reflexão política sobre o futuro da democracia portuguesa.

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